quarta-feira, 30 de abril de 2014

AUTÓCTONES E EXÓTICAS




O convívio entre espécies autóctones e espécies exóticas é uma constante nos Jardins do Xisto. Não há um único canteiro que escape a esta mistura intencional, sendo portanto um elemento identitário destes jardins.

Na imagem, sobressaem os tufos da giesta amarela (Cytisus striatus), arbusto espontâneo muito comum nesta zona da Beira Baixa, e da fotínia (Photinia fraseri), arbusto ou pequena árvore de flores brancas, originária da Ásia, ambas coincidindo no período de floração plena

A ideia de legendagem da fotografia foi "roubada" do nosso aliado Jardim Autóctone.


> Xisto|Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Jardins do Xisto (com legendas),  
Silveira dos Limões, Abril 2014
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

GIESTA AMARELA




A giesta-das-serras (Cytisus striatusé uma das espécies autóctones existente nos Jardins do Xisto. Ao contrário da giesta branca (Cytisus multiflorus), esta variante amarela tão frequente em Portugal, é pouco utilizada em jardinagem, possivelmente devido ao odor acre da sua floração. No entanto, é inegável o seu valor ecológico e paisagístico.


> Xisto|Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Giesta amarela dos Jardins do Xisto,  
Silveira dos Limões, Abril 2014
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

segunda-feira, 28 de abril de 2014

TERREIRO DA SAUDADE





Patamar superior dos Jardins, e também ponto mais elevado da Silveira dos Limões, o Terreiro da Saudade ladeia o caminho público de saída da aldeia em direcção aos pinhais. Em tempos idos, este era um local de encontro em família, nas noites de Verão, antes das despedidas. A designação ficou.

No essencial, o trabalho paisagístico aqui realizado procura recuperar a dimensão simbólica e a tradição deste pequeno planalto. Foi mantida uma zona densa de flora autóctone, em que predominam estevas e carquejas, no seguimento de um grupo de pinheiros bravos de grande porte, tendo sido também introduzidas novas espécies, incluindo algumas exóticas. A zona central, que sempre caracterizou o "terreiro", foi limpa de matos e nivelada a partir de uma sequência de três degraus, construídos em terra batida, com espelhos em chapa de ferro. 


> Xisto|Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Terreiro da Saudade,  
Silveira dos Limões, Abril 2014
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)


FLORA AUTÓCTONE E NATURALIZADA > TERREIRO DA SAUDADE  [em actualização] 
| alecrim Rosmarinus officinalis / R. prostatusarruda Ruta graveolens artemísia Arthemisia vulgaris carqueja Pterospartum tridentata | chorão Carpobrutus edulis | coroa-de-rei Helichrysum stoechas | coucello Umbilicus rupestris erva-das-lamparinas/marroio Ballota hirsuta erva-caril Helichrysum angustifolium italicum | erva-cidreira Melissa officinalis |erva-pinheira Sedum sediforme esteva Cistus ladanifer | feto-dos-bosques Pteridium aquilinum | feto polipódio Polypodium viulgare figueira Ficus carica | funcho Fueniculum vulgare junco Juncus efesus loendro/cevadilha, Nerium oleander | loureiro Laurus nobilis medronheiro Arbutus unedo | oliveira Olea europea pampilho Chrysanthemum segetum | pilriteiro Crataegus monogyna | pinheiro-bravo Pinus pinaster pinheiro-manso Pinus pinea | roselha Cistus crispus | rosmaninho Lavandula stoechas | sargaço Halymium ocymoides |sedum Sedum proinatum | tapete inglês Polygonum capitatum | tojo Ulex europaeus | tomilho Thymus mastichina | urze Calluna vulgaris

FLORA ALÓCTONE OU EXÓTICA > TERREIRO DA SAUDADE  [em actualização] 
| abeto anão Picea glauca conica | ajuga Ajuga reptens | aloés Aloe vera | amarilis Amarylis belladonnacipreste-de-Florença Cupressus strictaconteira Canna indica cravo túnico Tagetes erecta | craveiro Dianthus caryophyllus despedidas-do-verão Aster amelushortência Hidrangea macrophylla | ixia (rosa/laranja) Ixia sp.limoeiro Citrus limon / Citrus "medica variegata" | magnólia Magnolia grandiflora | palmeira Phoenix canariensispimenteira-bastarda Schinus molle piteira Agave americana/A. americana marginata | rosa carnuda Echeveria eleganssardinheira Plargonium zonale 

sábado, 26 de abril de 2014

MONTE GORDO NOS JARDINS




Uma onda verde invadiu esta manhã os Jardins do Xisto. Mais de meia centena de pessoas passaram na Silveira dos Limões em caminhada pedestre, organizada pela Associação Amigos de Monte Gordo (Santo André das Tojeiras). À sua chegada improvisou-se uma recepção com bolinhos e jeropiga, e os jardins tornaram-se local de convívio de uma pequena multidão.











> Xisto|Banco de Imagens da Silveira (BIS)
> Xisto|Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Associação Amigos de Monte Gordo nos Jardins do Xisto, 
Silveira dos Limões, 26 Abril 2014
fotografias digitais
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

quinta-feira, 24 de abril de 2014

JARDINS DE ABRIL



> 40 anos da Revolução dos Cravos

Um projecto cuja face mais visível são os Jardins do Xisto não podia ignorar uma revolução que tem nome de flor, e deixar-se invadir pelo símbolo. 


> Xisto|Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Jardins do Xisto em Abril, 
Silveira dos Limões, Abril 2014
fotografia e colagem digitais
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

CINZAS












> 40 anos da Revolução dos Cravos

Eis um exemplo de reflexão sobre o trabalho de autor em design de comunicação, envolvendo novos media, quarenta anos depois do 25 de Abril de 1974. Imagens fotográficas captadas por telemóvel ilustram o processo "laboratorial" de construção do próprio objecto gráfico, associando-lhe um texto escrito (não apenas) com cinzas. 

Com imaginação, no tempo complexo que nos cabe viver, espera-se dos artistas trabalho alternativo, respostas às imposições do omnipresente/omnipotente mercado. 


Xisto | Artes Visuais | Comunicação
Hugo Oliveira Vicente (n.1977), Portugal
Index #001, Abril 2014 (jornal desdobrável) 
impressão digital em papel reciclado, frente e verso
©  CRO|XISTO|AV

RÉVOLUTION JE T'AIME ENCORE


> 40 anos da Revolução dos Cravos

Xisto | Artes Visuais
Ernesto de Sousa (1921-1988), Portugal
A Revolução como obra de arte / Révolution je t'aime encore, 1978
Fotografia impressa em offset
©  CRO|XISTO|AV

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Ó PORTUGAL


>
“ ó Portugal, se fosses só três sílabas
de plástico que era mais barato. 


> 40 anos da Revolução dos Cravos
> Leituras num banco de jardim | Citação 5
Alexandre O'Neill (1924-1986),  Portugal, 
in "Feira Cabisbaixa", 1965


> Xisto | Desuso 
Estranhos objectos
Tinta Portugal, (déc. 1970?)
Frasco de tinta com rótulo impresso
©  CRO|XISTO|EO|D

sábado, 19 de abril de 2014

COELHINHO DA PÁSCOA




Uma bela manhã, apareceu no pátio cá de casa um coelho bravo (Oryctolagus cuniculus). Quando dei por ele, sobre um banco de xisto, muito quieto, de olhos abertos, aninhado entre a folhagem do morangueiro-de-jardim (Potentilla indica), fui pé-ante-pé buscar a máquina foto-gráfica para registar o insólito ancontecimento. E, comigo ali por perto, o bicho continuava completamente imóvel. Cheguei a convencer-me que não estaria vivo, até que decidi tocar-lhe ao de leve com um pau. Desapareceu num ápice!

O coelho, tem uma vasta tradição simbólica: "No antigo Egipto, o coelho simbolizava o nascimento e a vida nova. Alguns povos da Antiguidade consideravam o coelho como símbolo da Lua, portanto é possível que ele se tenha tornado símbolo pascal devido ao facto de a Lua determinar a data da Páscoa. O certo é que os coelhos são notáveis pela sua capacidade de reprodução, gerando grandes ninhadas, e a Páscoa marca a ressurreição, vida nova, tanto entre judeus quanto entre cristãos".(v. link)

Nos Jardins do Xisto, ao mínimo sinal de presença humana, fogem velozes. Aqui e ali encontro as suas pequenas tocas. Durante a noite, na rua deserta da aldeia, atravessam aos pulinhos, tranquilos, de um lado para outro. Por tudo isto, na Silveira dos Limões, o coelhinho da Páscoa tinha que ser um coelho-bravo


> Xisto|Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Coelho bravo, 
Silveira dos Limões, Maio 2012
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

TIGELADAS



Na Silveira dos Limões acendeu-se o forno comunitário para as tigeladas da Páscoa e o ritual cumpriu-se neste Sábado de Aleluia. 
Mas não há duas tigeladas iguais por toda a Beira Baixa, cada família produz a mesma receita adaptando a seu gosto as quantidades de ovos, açúcar, mel, leite, água, casca de limão ou laranja, canela, por vezes erva-doce, uma pitada de sal e outros pequenos segredos. A caçola de barro e a cozedura em forno de lenha completam o milagre de um sabor ancestral, indispensável na mesa do dia de Páscoa.


> Xisto|Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Tigeladas da Páscoa,
Silveira dos Limões, 19 Abril 2014
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

segunda-feira, 14 de abril de 2014

ERA UMA VEZ UM PINTOR






"Era uma vez um pintor que tinha um aquário com um peixe vermelho. 
Vivia o peixe tranquilamente acompanhado pela sua cor vermelha 
até que principiou a tornar-se negro a partir de dentro, um nó preto 
atrás da cor encarnada. O nó desenvolvia-se alastrando e tomando 
conta de todo o peixe. Por fora do aquário o pintor assistia surpreendido 
à chegada do novo peixe. O problema do artista era que, obrigado a
 interromper o quadro onde estava a chegar o vermelho do peixe, não
sabia o que fazer da cor preta que ele agora lhe ensinava. 
Os elementos do problema constituíam-se na observação dos factos 
e punham-se por esta ordem: peixe, vermelho, pintor - sendo o vermelho
o nexo entre o peixe e o quadro, através do pintor. O preto formava 
insídia do real e abria um abismo na primitiva fidelidade do pintor. 
Ao meditar sobre as razões da mudança exactamente quando assentava 
na sua fidelidade, o pintor supôs que o peixe, efectuando um número 
de mágica, mostrava que existia apenas uma lei abrangendo tanto o 
mundo das coisas como o da imaginação. Era a lei da metamorfose.
Compreendida esta espécie de fidelidade, o artista pintou um peixe amarelo."



> Leituras num banco de jardim | Citação 4
Herberto Helder (n.1930), Teoria das cores, 
in "Os Passos em volta" ed. Assírio e Alvim, Lisboa, 2001 
(texto de 1962, publicado com alterações nas edições posteriores.)


> Xisto | Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Paisagem com aquário, Silveira dos Limões, Abril 2014
(a partir de Herbert List, "Goldfish Bowl", 1937)
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

sábado, 12 de abril de 2014

GIESTA BRANCA





Giesta branca (Cytisus multiflorus) e o omnipresente Moradal em fundo. As flores deste arbusto autóctone, além de belíssimas, possuem propriedades medicinais. Juntamente com a giesta-das-serras (Cytisus striatus) chegou a ser utilizada para a regeneração de terrenos esgotados:

"Em tempos mais remotos, antes da generalização da utilização de adubos, a giesta-das-serras era semeada, juntamente com a giesta branca (Cytisus multiflorus) no Norte e Centro de Portugal, com o intuito de restaurar a fertilidade dos solos cultivados com cereais. Efectivamente, uma das características mais frequentes nas espécies pertencentes à família das Fabaceae é a presença de pequenos nódulos nas raízes, nos quais se alojam bactérias fixadoras de azoto, sendo este processo de extrema importância para a agricultura e florestas, uma vez que conduz à independência de fertilizantes azotados." (v. link)


> Xisto|Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Giesta branca dos Jardins do Xisto, 
Silveira dos Limões, Abril 2014
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

sexta-feira, 11 de abril de 2014

MORADAL



A paisagem é dominada ao longe pela Serra do Moradal. Céu e montanha rematam um mar de pinheiros bravos, no prolongamento florestal dos Jardins do Xisto. Eis o nosso cenário de fundo, o nosso Fuji. 

A Serra situa-se no vizinho concelho de Oleiros, em plena região do Pinhal Interior. Avista-se lateralmente, do ponto onde nos encontramos, no sentido NW-SE, correspondendo a 15 km de muralha quartzítica. Eleva-se a 912 metros de altitude e, deste lado da Beira Baixa, chamam-lhe o Picoto, supõe-se que devido à sua forma aproximadamente cónica.


> Xisto|Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Serra do Moradal a partir dos Jardins do Xisto, 
Silveira dos Limões, Abril 2014
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

terça-feira, 8 de abril de 2014

CARQUEJA




Planta arbustiva autóctone, com conhecidas propriedades medicinais e também utilizada em culinária tradicional, a carqueja (Pterospartum tridentatatem sido pouco valorizada em jardinagem, apesar da sua surpreendente presença junto de espécies exóticas. Nesta época do ano o intenso amarelo das suas flores invade os Jardins do Xisto.


> Xisto|Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Carqueja nos Jardins do Xisto, 
Silveira dos Limões, Abril 2014
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

FOTÍNIA E CARQUEJA







.

> Xisto|Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Fotínia e carqueja nos Jardins do Xisto, 
Silveira dos Limões, Abril 2014
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

quinta-feira, 3 de abril de 2014

COM O CORRER DOS ANOS




>
“ Com o correr dos anos, observei que a beleza,tal como
 a felicidade, é frequente. Não passa um dia em que não estejamos, um instante, no paraíso. 


> Leituras num banco de jardim | Citação 3
Jorge Luis Borges (1893-1986), in Os conjurados 
(excerto de Prólogo), ed. Difel, Lisboa, 1985


> Xisto | Artes Visuais
Lourdes Castro (1930), Portugal
Hortênsias Sombras Qta. do Monte, 1985. 
serigrafia, prova de artista
©  CRO|XISTO|AV

terça-feira, 1 de abril de 2014

ROSA



Rosa, nome de mulher, é uma flor de metáforas universais. Como sabemos, "o importante é a rosa". Mas, no dizer popular, "não há rosa sem espinhos". Fernando Pessoa escreveu, "dá-me rosas, rosas, e lírios também", e quando em 2001 o editor Manuel Hermínio Monteiro (1951-2001) organizou a sua magnífica antologia de poesia internacional, chamou-lhe Rosa do Mundo. 2001 Poemas para o Futuro

Nos jardins do Xisto eu tinha planeado um rosariumPorém as características topográficas do sítio não ajudam e, por isso, só este ano me decidi a plantar as primeiras roseiras, dispersas por vários canteiros. Já estão quase todas enraizadas. 


> Xisto|Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Roseira do forno comunitário, 
Silveira dos Limões, Outono 2013
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)