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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

ZIZI




Imperatriz Zizi, diminutivo de vi-zi-nha, reinou na Silveira dos Limões, e nas nossas vidas. Tinha um luxuoso "casaco" tricolor e olhos de estrela de cinema, como a Sissi de Romy Schneider (vale a pena ver as semelhanças). Deixou sucessores e súbditos. Será recordada como mãe exemplar. 

Disse-nos uma amiga sábia, também ela mãe, que os humanos deviam aprender a maternidade com as gatas. Porque depois de cuidarem das crias com total dedicação, depois de lhes ensinarem carinhosamente tudo o que é preciso para a sobrevivência num mundo por vezes hostil, as gatas afastam-se dos filhos ainda pequenos e, se preciso for, dão-lhes patada, como que a dizer: sejam aguerridos e autónomos. 

Quem teve o privilégio de conviver de perto com as lições da gata Zizi, não poderia deixar de lhe prestar esta homenagem. 


> Xisto | Banco de Imagens da Silveira (BIS)
A mãe Zizi, Silveira dos Limões, Março 2011
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS (RO)

terça-feira, 22 de julho de 2014

NINHO

Os pássaros habitam a Natureza e vêem-na de cima para baixo, coisa que está interdita a muitos outros animais. Porém, antes da necessária aprendizagem das técnicas de voo, os passarinhos precisam de um habitat estável onde crescer em segurança. Para isso os progenitores constroem-lhes um berço vegetal na bifurcação dos ramos das árvores. 
Observemos o engenho posto na construção de um ninho: pequena peça de arquitectura ou de designperfeita "Obra da Natureza", respeitando ao máximo o meio ambiente e os recursos naturais. Se os humanos seguissem o exemplo da passarada, certamente viveríamos todos de um modo mais equilibrado e, quem sabe, mais feliz. Mas as coisas são o que são. Aos humanos é dada a capacidade que os distingue de todos os outros seres vivos, de (re)criar o mundo, de transformar a natureza - para o melhor e para o pior - coisa que não se espera das aves. 

O ninho de melro que aqui se mostra foi descoberto num sobreiro, durante os trabalhos de limpeza e poda de uma área de bosque dos Jardins do Xisto, tendo ajuda voluntária de Verónica, a mais jovem amiga dos jardins e recente leitora atenta do nosso blog, a quem dedicamos este texto ilustrado.


> Xisto | Obra da Natureza
Ninho de melro descoberto no Bosque Fundeiro, 
 Jardins do Xisto, Silveira dos Limões, Julho 2014
entrelaçado de matérias vegetais
©  CRO|XISTO|ON

quinta-feira, 22 de maio de 2014

CAÇA-TOUPEIRAS


Onde quer que haja horta ou jardim, a cava-terra ou toupeira (Taipa occidentalis), é bicho indesejado. Nas últimas semanas as toupeiras invadiram em força todos os canteiros do patamar inferior dos Jardins do Xisto. O que fazer? Nada. Afinal estes mamíferos insectívoros podem ser mais úteis do que prejudiciais. Ao perfurar o solo para construir uma complexa rede subterrânea de túneis e galerias alimentam-se de larvas e insectos nocivos. 
Por enquanto, o prejuízo mais evidente da presença de toupeiras nos Jardins do Xisto, dadas as características do terreno em socalcos, diz respeito ao desperdício da água das regas, que vemos esvair-se a vários metros de distância dos canteiros. 

"O principal predador da toupeira acaba por ser o homem, que vê nela uma praga, responsável pelo desenraizamento de plantas e deslocamento de raízes. De facto, enquanto constrói galerias, a toupeira vai revolvendo a terra, causando algum prejuízo a agricultores e jardineiros. No entanto, a sua presença tem também um lado positivo, visto ser uma grande consumidora de animais prejudiciais a muitas plantas de cultivo e oxigenar o solo através da sua actividade escavadora". (v. link)

Este invulgar artefacto de cerâmica popular, uma armadilha para caçar toupeiras, tem a particularidade de integrar factores mágicos/fálicos do mundo rural, sendo representativo do imaginário fantasioso dos barristas de Ribolhos.


> Xisto | Etnografia 
Caça-toupeiras, déc. 1980
Cerâmica, barro negro de Ribolhos (Castro d'Aire) 
©  CRO|XISTO|ET.

sábado, 19 de abril de 2014

COELHINHO DA PÁSCOA




Uma bela manhã, apareceu no pátio cá de casa um coelho bravo (Oryctolagus cuniculus). Quando dei por ele, sobre um banco de xisto, muito quieto, de olhos abertos, aninhado entre a folhagem do morangueiro-de-jardim (Potentilla indica), fui pé-ante-pé buscar a máquina foto-gráfica para registar o insólito ancontecimento. E, comigo ali por perto, o bicho continuava completamente imóvel. Cheguei a convencer-me que não estaria vivo, até que decidi tocar-lhe ao de leve com um pau. Desapareceu num ápice!

O coelho, tem uma vasta tradição simbólica: "No antigo Egipto, o coelho simbolizava o nascimento e a vida nova. Alguns povos da Antiguidade consideravam o coelho como símbolo da Lua, portanto é possível que ele se tenha tornado símbolo pascal devido ao facto de a Lua determinar a data da Páscoa. O certo é que os coelhos são notáveis pela sua capacidade de reprodução, gerando grandes ninhadas, e a Páscoa marca a ressurreição, vida nova, tanto entre judeus quanto entre cristãos".(v. link)

Nos Jardins do Xisto, ao mínimo sinal de presença humana, fogem velozes. Aqui e ali encontro as suas pequenas tocas. Durante a noite, na rua deserta da aldeia, atravessam aos pulinhos, tranquilos, de um lado para outro. Por tudo isto, na Silveira dos Limões, o coelhinho da Páscoa tinha que ser um coelho-bravo


> Xisto|Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Coelho bravo, 
Silveira dos Limões, Maio 2012
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)