sexta-feira, 28 de março de 2014

PARA CHEGARES AO QUE NÃO SABES




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“ Para chegares ao que não sabes
Deves seguir por um caminho que é o da ignorância.
Para possuires o que não possuis
Deves seguir pelo caminho da despossessão.
Para chegares ao que não és
Deves seguir pelo caminho onde não estás.
E o que não sabes é a única coisa que sabes
E o que possuis é o que não possuis
E onde estás é onde não estás. 


> Leituras num banco de jardim | Citação 2
T. S. Elliot (1888-1965), in Quatro Quartetos (excerto de East Coker), 1935/43
(trad. Maria Amélia Neto, ed. Ática, Lisboa, 1963)


> Xisto | Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Pessegueiro japonês dos Jardins do Xisto, 
Silveira dos Limões, Março 2014
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

4 comentários:

  1. É muito bonito.

    Contra-cultural num momento de imediatismo e espectáculo deprimente mediático – em que o parece deveria ser – não fosse a realidade, tão oposta às aparências televisivas e oportunismos jornalisticos.
    Saiu hoje um estudo da PSP, segundo o qual Lisboa viu 3 manifestações por dia em 2013, alguém as mostrou?

    Oportuno na situação actual do país, mensagem oportunamente lida num banco de jardim, fala-nos de aprendizagem e tem um jeito de "novo testamento".

    Os jardins podem não ser apenas espaços de contemplação, mas também espaços de discussão. Ágoras de natureza. Também é isto que se espera destes Jardins do Xisto.

    Oponhamos então a "esta" realidade – colectiva e pessoal – uma realidade de acção, de procura, descoberta e despojamento.

    bjs

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  2. Não sei se é contra-cultural. Por mim é seguramente "contraponto" ao momento medonho que o país atravessa. E é também um modo de me "manifestar", sem prejuízo da participação em manifestações de protesto.

    Interessante a ideia de jardins/ágoras de natureza. Jardins, na verdade, são lugares de natureza idealizada, construídos para o encontro com o essencial. Espaço aberto, portanto, ao diálogo.

    Obrigado, Hugo.

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  3. A foto está imensa! E o poema é profundo. Mas para sentirmos a magia desse cantinho, aliás, muitos cantinhos, é preciso tactear os jardins com os olhos, com as mãos e, principalmente, com o coração. Quando vagueio pelas veredas dos jardins que emerge das "minhas" entranhas o mais sublime, o mais verdadeiro... E as fronteiras dissipam-se. As fronteiras entre "mim" e uma flora, entre "mim" e uma pedra e, nas noites calorosas de verão, é como se dançasse com as estrelas... E, nesses instantes sem tempo, inunda-me uma paz infinita, e sei que tudo está bem, e sei que não há nada, nada para saber...
    Obrigado pelos jardins

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    1. Também eu gosto de percorrer os jardins nas noites quentes de Verão, especialmente ao luar. Mas é nas noites de tempestade que os jardins me oferecem o seu maior espectáculo.

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