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segunda-feira, 16 de março de 2015

O MUNDO ARTISTA

>
 O mundo artista é um prolongamento da infância, 
dos seus medos e dos seus gritos penetrantes como
 o que os pavões soltam num parque deserto. Um parque arruinado, não um jardim francês, geométrico e letal. 


> Leituras num banco de jardim | Citação 14
Agustina Bessa-Luís (n.1922), Portugal
in As Meninas (Agustina sobre Paula Rego), ed. Guerra e Paz, Lisboa, 2001


> Xisto | Azulejo 
Paula Rego (1935), Portugal
s/título (menina e pavão) 
azulejo, ed. Ratton, Lisboa, s/d 
©  CRO|XISTO|AZ

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

AMO A REGRA


>
 Amo a regra que corrige a emoção.
       Amo a emoção que corrige a regra. 


> Leituras num banco de jardim | Citação 13
Georges Braque (1882-1963), França
> J'aime la règle que corrige l'émotion. J'aime lémotion qui corrige la règle,
in "Georges Braque - His Graphic Work", ed. Abrams, New York, 1961


> Xisto | Etnografia | Coração 
Recipientes para doçaria, séc.XX (1ª metade?) 
chapa metálica / cerâmica vidrada.
©  CRO|XISTO|ET|COR

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

O MEU MENINO


>
 O meu menino é d'oiro
É d'oiro fino
Não façam caso que é pequenino.

O meu menino é d'oiro
D'oiro fagueiro
Hei-de levá-lo no meu veleiro.

Venham aves do céu
Pousar de mansinho
Por sobre os ombros do meu menino
Do meu menino, do meu menino.

Venha comigo venham
Que eu não vou só
Levo o menino no meu trenó,

Quantos sonhos ligeiros
P'ra teu sossego
Menino avaro não tenhas medo.

Onde fores no teu sonho
Quero ir contigo
Menino d'oiro sou teu amigo.

Venham altas montanhas
Ventos do mar
Que o meu menino nasceu p'r'amar. 


> Leituras num banco de jardim | Citação 12
José Afonso (1929-1987), Portugal
Menino d'oiro, in Cantares, 1968


> Xisto | Iconografia Sacra | Presépio 
Menino Jesus, déc. 1990?
miniatura em plástico (resina), 3,5 cm.
©  CRO|XISTO|IS|P


Longe vão os tempos em que as figuras do chamado "presépio tradicional português" eram produzidas semi-industrialmente em cerâmica pintada. Entretanto, foram sendo introduzidas figuras em plástico, sobretudo importadas da China. Novos materiais e outras tipologias de representação, bem menos ingénuas. São as leis do mercado, dizem-nos. E a verdade é que o Natal, mais do que uma festa das famílias, se tornou um espectáculo grotesco de mercantilização global.
Quanto ao Menino Jesusminiatura em plástico (resina) de assinalável "verismo", reproduz possivelmente um modelo italianizado, desconhecendo-se a origem e data de fabrico. Incorporado recentemente na colecção Xisto|Presépio, como complemento ao figurado tradicional de Barcelos, este Menino contrapõe o tipo de representação predominante ao longo da 2ª metade do século XX, assinalando a decadência de um género iconográfico no contexto da tradição popular portuguesa.

domingo, 14 de dezembro de 2014

HOJE


>
 Hoje, eu mereço esta imagem. 


> Leituras num banco de jardim | Citação 11
Rui Xisto (n.1956), Portugal
Autocitação, Lisboa, s/d 


> Xisto | Fotografia 
João Francisco Camacho (1833-1898), Portugal
S/título, Madeira, c.1865
prova "vintage", albumina, 22,3 x 16,3 cm.
©  CRO|XISTO|F

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

QUANDO EU NASCI




>
 Quando eu nasci, as frases que hão-de salvar
a humanidade já estavam todas escritas, 
só faltava uma coisa - salvar a humanidade. 


> Leituras num banco de jardim | Citação 10
Almada Negreiros (1893-1970), Portugal
in A Invenção do Dia Claro, 1921
ed. Assírio & Alvim, Lisboa, 2005


> Xisto | Etnografia 
Ave coroada com trevo no bico (Galo?), 
Castelo Branco, séc. XX (c.1900), 
ferro forjado, 29,5 cm.
©  CRO|XISTO|ET.


"Ave coroada com trevo no bico", pertencente à colecção Xisto|Etnografia, representa um tema zoomórfico de imprecisa classificação (pombo?, águia?, galo?). Recorte em chapa de ferro forjado, a partir do desenho de um motivo têxtil do bordado de Castelo Branco. 
Adaptado remate ornamental de chaminé, apresenta vestígios de policromia e um elemento postiço, suporte de fixação com rosca na base, divergentes do objecto original.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

NÃO HÁ GRANDEZA POSSÍVEL


>
“ Não há grandeza possível
emoldurada num pequeno caixilho territorial. 


> Leituras num banco de jardim | Citação 9
Miguel Torga (1907-1995), Portugal
in Diário IX, 1964
ed. Dom Quixote, Lisboa, 2011


> Xisto | Obra da Natureza 
Pedra rolada esférica proveniente de Peniche
(volume aprox. 2 143,57 cm3; peso 5,7 Kg)
©  CRO|XISTO|ON

sexta-feira, 4 de julho de 2014

PARA SER GRANDE





>
“ Para ser grande sê inteiro: Nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda 
Brilha, porque alta vive. 


> Leituras num banco de jardim | Citação 8
Ricardo Reis (Fernando Pessoa, 1888-1935), Portugal
in Odes de Ricardo Reis, 1933
ed. Ática, Lisboa, 1946


> Xisto | Artes Visuais ! Fotografia 
Gérard Castello-Lopes (1925-2011), Portugal/França
(A Pedra) Portugal, 1987, 
prova fotográfica, gelatina e sais de prata 
©  CRO|XISTO|AV|F

sexta-feira, 30 de maio de 2014

E SAIBA QUEM ISTO LER


>

“ E saiba quem isto lêr (porque lhe parecerá
por ventura cousa leve o desenho) que não ha hoje 
este dia debaxo das strellas cousa mais
 deficil e ardua que o desenhar.(...) E em tanto 
ponho o desenho, que me atreverei a mostrar como 
tudo o que se faz em este mundo é desenhar. 


> Leituras num banco de jardim | Citação 7
Francisco de Holanda (1517-1585), Portugal
in "Da Pintura Antiga", 1548, 
ed. Imprensa Nacional/CML, Lisboa, 1984


> Xisto | Azulejo
Azulejo hexagonal, séc. XVII
Índia (Bijapur?) (proveniente do Convento de Santa Mónica, Goa)
©  CRO|XISTO|AZ

terça-feira, 13 de maio de 2014

É PRECISO PARTIR




>
 É preciso partir. É preciso ficar. 


> Leituras num banco de jardim | Citação 6 
Eugénio de Andrade (1923-2005), Portugal
in As palavras interditas, 1951


> Xisto | Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Azálea junto ao muro do pátio, Silveira dos Limões, Abril 2014
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

segunda-feira, 14 de abril de 2014

ERA UMA VEZ UM PINTOR






"Era uma vez um pintor que tinha um aquário com um peixe vermelho. 
Vivia o peixe tranquilamente acompanhado pela sua cor vermelha 
até que principiou a tornar-se negro a partir de dentro, um nó preto 
atrás da cor encarnada. O nó desenvolvia-se alastrando e tomando 
conta de todo o peixe. Por fora do aquário o pintor assistia surpreendido 
à chegada do novo peixe. O problema do artista era que, obrigado a
 interromper o quadro onde estava a chegar o vermelho do peixe, não
sabia o que fazer da cor preta que ele agora lhe ensinava. 
Os elementos do problema constituíam-se na observação dos factos 
e punham-se por esta ordem: peixe, vermelho, pintor - sendo o vermelho
o nexo entre o peixe e o quadro, através do pintor. O preto formava 
insídia do real e abria um abismo na primitiva fidelidade do pintor. 
Ao meditar sobre as razões da mudança exactamente quando assentava 
na sua fidelidade, o pintor supôs que o peixe, efectuando um número 
de mágica, mostrava que existia apenas uma lei abrangendo tanto o 
mundo das coisas como o da imaginação. Era a lei da metamorfose.
Compreendida esta espécie de fidelidade, o artista pintou um peixe amarelo."



> Leituras num banco de jardim | Citação 4
Herberto Helder (n.1930), Teoria das cores, 
in "Os Passos em volta" ed. Assírio e Alvim, Lisboa, 2001 
(texto de 1962, publicado com alterações nas edições posteriores.)


> Xisto | Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Paisagem com aquário, Silveira dos Limões, Abril 2014
(a partir de Herbert List, "Goldfish Bowl", 1937)
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

quinta-feira, 3 de abril de 2014

COM O CORRER DOS ANOS




>
“ Com o correr dos anos, observei que a beleza,tal como
 a felicidade, é frequente. Não passa um dia em que não estejamos, um instante, no paraíso. 


> Leituras num banco de jardim | Citação 3
Jorge Luis Borges (1893-1986), in Os conjurados 
(excerto de Prólogo), ed. Difel, Lisboa, 1985


> Xisto | Artes Visuais
Lourdes Castro (1930), Portugal
Hortênsias Sombras Qta. do Monte, 1985. 
serigrafia, prova de artista
©  CRO|XISTO|AV

sexta-feira, 28 de março de 2014

PARA CHEGARES AO QUE NÃO SABES




>
“ Para chegares ao que não sabes
Deves seguir por um caminho que é o da ignorância.
Para possuires o que não possuis
Deves seguir pelo caminho da despossessão.
Para chegares ao que não és
Deves seguir pelo caminho onde não estás.
E o que não sabes é a única coisa que sabes
E o que possuis é o que não possuis
E onde estás é onde não estás. 


> Leituras num banco de jardim | Citação 2
T. S. Elliot (1888-1965), in Quatro Quartetos (excerto de East Coker), 1935/43
(trad. Maria Amélia Neto, ed. Ática, Lisboa, 1963)


> Xisto | Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Pessegueiro japonês dos Jardins do Xisto, 
Silveira dos Limões, Março 2014
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

sábado, 15 de março de 2014

O UNIVERSAL



>
“ O universal é o local sem paredes. 


Leituras num banco de jardim | Citação 1
Miguel Torga (1907-1995), in Traço de União, 1969


> Xisto | Artes Visuais | Fotografia
Eric van der Schalie (1954), Holanda 
Jericho renewed [Jericó renovada], 1983
prova fotográfica
©  CRO|XISTO|AV|F