quinta-feira, 25 de setembro de 2014

VINDIMAS


Em todo o país, esta é a época das vindimas, momento alto da vida das comunidades rurais. Na região onde nos encontramos, limítrofe do Pinhal Interior, a cultura da vinha ocorre em pequenas extensões, geralmente integrando quintais e hortas, onde também se cultivam videiras de uva-de-mesa, com destaque para a casta moscatel tinto, de sabor intenso, muito doce, "puxado" pelo sol beirão
A maioria dos agricultores, tanto na Silveira dos Limões como nas aldeias vizinhas, tem pequenas adegas onde produz o seu vinho, principalmente para consumo próprio. Também aqui, uma vez mais, se cumpre a tradição.


> Xisto | Azulejo
Cacho de uva, séc. XX (1ª metade),
azulejo, aerografia, Fábrica de Loiça de Sacavém
©  CRO|XISTO|AZ

Este azulejo com cacho de uvas e folhas de parra, da Fábrica de Loiça de Sacavém (1856-1994), foi produzido durante a 1ª metade do séc. XX, possivelmente nas décadas de 1920/30. Tornou-se um motivo muito popular em tascas, tabernas e adegas da Estremadura, sobretudo Lisboa, mas também noutras localidades do país. Era aplicado em sequências de repetição, nos frisos de remate de lambris interiores, ou como azulejo de figura avulsa intervalado por azulejos brancos, quer em lambris, quer em lava-loiças, ou ainda, isoladamente, em depósitos de vinho. Entre os exemplos notáveis, mantidos "in situ", destacamos o da antiga casa de pasto "Adega dos Garrafões", em Setúbal. 
[ adenda, 26.09.2014 ] 

terça-feira, 23 de setembro de 2014

DESPEDIDAS DE VERÃO


Conhecidas pelo nome "despedidas de verão", florescem vistosas nesta época de poucas flores, para orgulho e alegria da vizinha Beatriz, que as trouxe para os Jardins do Xisto e que ela mesma plantou no local onde ainda se encontram. Há cerca de dois meses alguns pés foram transplantados para outros canteiros, prevendo-se que no próximo ano constelações lilases invadam os jardins em Setembro.
Trata-se da Aster amellus, planta originária da Europa e da Ásia, frequente nos jardins domésticos portugueses. Pertence ao género Aster, cuja designação científica deriva do grego antigo e significa apropriadamente "estrela" (flor-em-forma-de-estrela). 


> Xisto | Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Despedidas de verão dos Jardins do Xisto, Set. 2014
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

NÃO HÁ GRANDEZA POSSÍVEL


>
“ Não há grandeza possível
emoldurada num pequeno caixilho territorial. 


> Leituras num banco de jardim | Citação 9
Miguel Torga (1907-1995), Portugal
in Diário IX, 1964
ed. Dom Quixote, Lisboa, 2011


> Xisto | Obra da Natureza 
Pedra rolada esférica proveniente de Peniche
(volume aprox. 2 143,57 cm3; peso 5,7 Kg)
©  CRO|XISTO|ON

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

3 ANOS DOS JARDINS DO XISTO | DIAPORAMA

...
Através deste diaporama assinalamos os 3 anos dos Jardins do Xisto. Fotografias tiradas entre os meses de Março e Agosto de 2014. 

CANTEIRO INICIAL



Em Maio de 2011, após desobstrução e poda do tronco da "palmeira que definhava", organizaram-se as pedras de xisto que por ali estavam e formou-se uma espécie de canteiro. Nos intervalos entre as pedras foram plantados lírios trazidos de um passeio à aldeia histórica de Castelo Novo, na Gardunha. Depois, o vizinho José trouxe um pequeno pinheiro manso, que foi a primeira árvore aqui plantada. 

Não havia, nessa altura, qualquer intenção de fazer um jardim. Mas durante as férias de Verão, surgiu a ideia de ir ajardinando a beira da estrada. Só então começou a pensar-se num projecto paisagístico.

Passados três anos, os Jardins do Xisto cresceram para além de qualquer expectativa e, possivelmente, para além do bom senso. Fruto de paixão e também, há que dizê-lo, de trabalho árduo, em regime de total voluntariado. O bom acolhimento e o envolvimento da comunidade local têm sido um estímulo permanente.
Entretanto, estes jardins tornaram-se a face visível de um projecto cultural integrado e multidisciplinar, que inclui a Natureza e a Paisagem num contexto artístico mais amplo.


> Xisto | Banco de Imagens da Silveira (BIS)
(1) Canteiro inicial e palmeira dos Jardins do Xisto, Silveira dos Limões, Maio 2011
(2) Patamar da palmeira dos Jardins do Xisto, Silveira dos Limões, Julho 2014
fotografias digitais
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

JARDINS DO XISTO | ANTES & DEPOIS







Tudo começou com o gesto simples de querer salvar uma palmeira que definhava à beira de um caminho, com o tronco soterrado e as folhas roídas por cabras. (v. link) 

Pouco mais de 3 anos separam estas duas imagens que registam a saída poente da povoação de Silveira dos Limões, no local onde termina o empedrado da rua e começa a estrada, entre pinhais, em direcção ao labirinto de caminhos de floresta que conduz a hortas e a aldeias vizinhas

Na primeira fotografia, anterior a 2011, a seta sinaliza essa palmeira que, como se pode ver na segunda fotografia, é agora uma árvore feita (clique nas imagens para ampliar). 
Depois do terreno ter sido limpo de lixos, entulhos e sucatas, procedeu-se à eliminação dos eucaliptos, tendo como objectivos desocultar a paisagem, dominada à distância pela Serra do Moradal, e recuperar os solos esgotados. Entretanto construíram-se patamares, socalcos, canteiros, caminhos, veredas, rampas e degraus, procurando vencer declives e estabelecer percursos. Plantaram-se também numerosas árvores e arbustos, valorizou-se a flora autóctone pré-existente e introduziram-se novas espécies, tanto autóctones como exóticas. Porém, os trabalhos de consolidação dos terrenos estão longe de concluídos e as árvores, como se sabe, demoram a crescer.

projecto paisagístico Jardins do Xisto veio contrariar o estado de abandono e o desordenamento do sítio e, sobretudo, contribuir para valorizar a paisagem e a natureza autóctones. Simultâneamente, a comunidade passou a dispor de um lugar de encontro que prolonga o espaço público da aldeia e o torna mais atractivo.


> Xisto | Banco de Imagens da Silveira (BIS)
(1) Saída poente da aldeia, Silveira dos Limões, 2010
(2) Saída poente da aldeia, Jardins do Xisto, Silveira dos Limões, Julho 2014
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

COROA IMPERIAL










Entre as numerosas variedades de coroa imperial, esta
talvez seja uma das mais extraordinárias: pétalas brancas contorcidas, salpicadas de pintas rubras, cujo pigmento parece alastrar sobre o branco tornando-o rosado. Cremos que se trata de um híbrido agrupado sob o nome botânico Lilium oriental, possivelmente originário do Japão. 

Os bolbos desta coroa imperial foram mantidos em vasos e floriram durante várias décadas a todo o comprimento da varanda da casa beirã de Joaquina Rodrigues Laia, em Sarzedas. Julgaram-se depois perdidos, mas viriam mais tarde a ser redescobertos no jardim de um familiar, em Coimbra. Foram então levados com destino a Lisboa, onde se desenvolveram e reproduziram. Estiveram também em Évora, na quinta de uma amiga holandesa conhecedora dos segredos da reprodução de bolbos, na esperança de que ela conseguisse multiplicá-los. E finalmente, completaram, digamos, o seu itinerário afectivo, regressando às suas raízes antigas, na Beira Baixa.
Há plantas assim, que herdamos dos antepassados e cultivamos como se fossem parte de nós, acompanhando-nos por toda a vida. Estas coroas imperiais estão de novo a florir, mas agora na Silveira dos Limões, no pátio da casa onde há muito tempo nasceu quem tanto as acarinhou. 


> Xisto | Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Coroas imperiais do pátio, 
Silveira dos Limões, Julho 2014
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

terça-feira, 22 de julho de 2014

NINHO

Os pássaros habitam a Natureza e vêem-na de cima para baixo, coisa que está interdita a muitos outros animais. Porém, antes da necessária aprendizagem das técnicas de voo, os passarinhos precisam de um habitat estável onde crescer em segurança. Para isso os progenitores constroem-lhes um berço vegetal na bifurcação dos ramos das árvores. 
Observemos o engenho posto na construção de um ninho: pequena peça de arquitectura ou de designperfeita "Obra da Natureza", respeitando ao máximo o meio ambiente e os recursos naturais. Se os humanos seguissem o exemplo da passarada, certamente viveríamos todos de um modo mais equilibrado e, quem sabe, mais feliz. Mas as coisas são o que são. Aos humanos é dada a capacidade que os distingue de todos os outros seres vivos, de (re)criar o mundo, de transformar a natureza - para o melhor e para o pior - coisa que não se espera das aves. 

O ninho de melro que aqui se mostra foi descoberto num sobreiro, durante os trabalhos de limpeza e poda de uma área de bosque dos Jardins do Xisto, tendo ajuda voluntária de Verónica, a mais jovem amiga dos jardins e recente leitora atenta do nosso blog, a quem dedicamos este texto ilustrado.


> Xisto | Obra da Natureza
Ninho de melro descoberto no Bosque Fundeiro, 
 Jardins do Xisto, Silveira dos Limões, Julho 2014
entrelaçado de matérias vegetais
©  CRO|XISTO|ON

segunda-feira, 21 de julho de 2014

GARDÉNIA


Diz-se da gardénia (Gardenia jasminoides) que as suas flores brancas, além de belíssimas, têm um dos perfumes mais sofisticados que a natureza pode oferecer ao nosso olfacto. É igualmente um arbusto de bela folhagem perene, intensamente verde e brilhante. 

Oriunda da Ásia, sabe-se que a gardénia já era cultivada na China na Dinastia Song (960-1207 AD), sendo desde então representada recorrentemente na arte clássica chinesa. O Imperador Huizong (Zhao Ji, 1082-1135), um dos líderes mais destacados desta dinastia, homem culto e coleccionador de obras de arte, interessado pela natureza e pela construção de jardins de rocha, foi ele próprio um grande pintor e poeta. É-lhe atribuída a obra Gardénia e lichias com pássaros (v. "Gardenia and Lichee with birds", British Museum, Londres).  

Para os Jardins do Xisto foi transplantada uma das duas gardénias que existiam no pátio cá de casa, mas ela não gostou do novo sítio, talvez excessivamente agreste, ou não gostou das companheiras autóctones, talvez selvagens demais para os seus delicados hábitos, e acabou por secar. Quanto à outra gardénia, a que permanece no recato do pátio, continua a florir.  


> Xisto | Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Gardénia junto ao muro de xisto do pátio, 
Silveira dos Limões, Junho 2011
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

terça-feira, 15 de julho de 2014

AGAPANTO


O agapanto (Agapanthus africanus), de acordo com a etimologia, é a flor-do-amor (do grego ágape = amor + anthus flor). Embora originário do continente africano, mais precisamente da África do Sul, daí ser também conhecido por lírio-africano, deve o seu nome científico a uma antiga tradição clássica associada ao ramo de noiva, em que o ágape, simbolizando a pureza feminina e o amor espiritual, antecede o eros, outra palavra grega, que designa o desejo e o amor carnal. Terá sido cultivada na bacia do Mediterrâneo, ainda na Antiguidade, sendo hoje frequente em jardins do mundo inteirograças à sua capacidade de adaptação a diversos climas e solos.

Pelo segundo ano consecutivo, estas extraordinárias plantas floriram nos Jardins do Xisto, entre cevadilhas, limonetes, carquejas e alecrins, tendo por "tecto" um belo pinheiro bravo. Qualquer delas exige muito pouco dos jardineiros, não precisa de regas regulares nem de mimos constantes, como muito bem salienta o amigo Rafael, no seu Jardim Autóctone (Armamar, Trás-os-Montes). A propósito, propomos ao leitor uma visita virtual a este santuário da jardinagem autóctone na blogosfera portuguesa.


> Xisto | Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Agapantos brancos dos Jardins do Xisto, 
Silveira dos Limões, Junho 2014
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

sexta-feira, 4 de julho de 2014

PARA SER GRANDE





>
“ Para ser grande sê inteiro: Nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda 
Brilha, porque alta vive. 


> Leituras num banco de jardim | Citação 8
Ricardo Reis (Fernando Pessoa, 1888-1935), Portugal
in Odes de Ricardo Reis, 1933
ed. Ática, Lisboa, 1946


> Xisto | Artes Visuais ! Fotografia 
Gérard Castello-Lopes (1925-2011), Portugal/França
(A Pedra) Portugal, 1987, 
prova fotográfica, gelatina e sais de prata 
©  CRO|XISTO|AV|F

quinta-feira, 3 de julho de 2014

UM FIGO FORA DO TEMPO


Eis uma síntese final da história dos figos temporãos: a jovem figueira dos Jardins do Xisto apresentava cerca de uma dezena de figuinhos precoces em meados de Março e um único figo sobrevivente em meados de Junho.

Uma vez colhido e provado, este solitário pingo-de-mel, maduro e doce, soube-nos a muito e soube-nos a pouco. Não temos outro remédio senão esperar pacientemente pelo "tempo dos figos", lá mais para o final do Verão.


> Xisto | Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Figo temporão, Silveira dos Limões, meados de Junho 2014
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

quarta-feira, 2 de julho de 2014

NO TEMPO DAS CEREJAS

As cerejeiras (Prunus avium), oriundas da Ásia, são árvores magníficas, sobretudo pelas suas flores e pelos seus frutos, mas também pela nobreza da sua madeira. Embora raramente cultivadas na Silveira dos Limões, encontram solos muito apropriados em várias zonas da Beira Baixa, nomeadamente na Cova da Beira, que produz excelentes variedades de cerejas. As que vemos na imagem, saídas fresquinhas do frigorífico e saboreadas enquanto se escreve este texto, foram-nos trazidas do vizinho concelho de Oleiros. Podemos garantir que são doces, de sabor intenso e polpa carnuda. 


> Xisto | Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Malga com cerejas, Silveira dos Limões, Junho 2014
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

terça-feira, 24 de junho de 2014

CANTEIRO DO FORNO



As sardinheiras do forno comunitário da Silveira dos Limões florescem ao longo de vários meses, estando agora na fase de maior exuberância. O vermelho alaranjado e cintilante da variedade Pelargonium zonale encontra um destaque perfeito na textura da parede de xisto, especialmente à luz rasante de uma manhã de Junho. E sendo certo que as sardinheiras sempre ficam bem em todo o lado, é igualmente certo que qualquer planta aprecia combinar-se com construções de pedra de xisto. 
O canteiro do forno comunitário mostra que também a jardinagem de pequena escala pode contribuir para a valorização e reanimação da aldeia e da sua sobrevivente arquitectura tradicional. 


> Xisto | Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Canteiro do Forno Comunitário,
Silveira dos Limões, Junho 2014
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

quinta-feira, 19 de junho de 2014

OITENTA E OITO



É uma das visitas mais frequentes dos jardins e também a senhora com idade mais avançada, entre os Amigos dos Jardins do Xisto. Devotada à jardinagem, desde sempre, a sua experiência e os seus conselhos são preciosos. Maria Helena acompanha o desenvolvimento deste projecto, atenta a tudo o que cresce e floresce, especialmente as plantas trazidas do seu antigo jardim. Faz hoje 88 anos, números redondos (). 


> Xisto | Banco de Imagens da Silveira (BIS)
"Dama" da camélia, Jardins do Xisto, 
Silveira dos Limões, Inverno 2012
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

quarta-feira, 18 de junho de 2014

EM JUNHO



Florescem por toda a Beira Baixa no mês de Junho as coroas-de-rei (Helichrysum stoechas). Nesta imagem, estão bem acompanhadas por flores brancas de sardinheira (Pelargonium zonale)


> Xisto | Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Coroas-de-rei e sardinheiras, Jardins do Xisto, 
Silveira dos Limões, Junho 2013
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

domingo, 15 de junho de 2014

ÁGUA

Chegaram os dias quentes que anunciam o Verão seco da Beira Baixa. Na Silveira dos Limões todos reconhecem que a água é um bem precioso e escasso, mas hoje, Domingo, o período da rega, a hora de "dar de beber" à Natureza, foi especialmente refrescante, graças ao apoio do João e do seu primo Nuno, amigos dos Jardins do Xisto. Oxalá a Natureza recompense o esforço. 


> Xisto | Etnografia 
Cocho ou malga de cortiça, 
Beira Baixa ou Alentejo, séc. XX, 
cortiça e água
©  CRO|XISTO|ET.