terça-feira, 15 de julho de 2014

AGAPANTO


O agapanto (Agapanthus africanus), de acordo com a etimologia, é a flor-do-amor (do grego ágape = amor + anthus flor). Embora originário do continente africano, mais precisamente da África do Sul, daí ser também conhecido por lírio-africano, deve o seu nome científico a uma antiga tradição clássica associada ao ramo de noiva, em que o ágape, simbolizando a pureza feminina e o amor espiritual, antecede o eros, outra palavra grega, que designa o desejo e o amor carnal. Terá sido cultivada na bacia do Mediterrâneo, ainda na Antiguidade, sendo hoje frequente em jardins do mundo inteirograças à sua capacidade de adaptação a diversos climas e solos.

Pelo segundo ano consecutivo, estas extraordinárias plantas floriram nos Jardins do Xisto, entre cevadilhas, limonetes, carquejas e alecrins, tendo por "tecto" um belo pinheiro bravo. Qualquer delas exige muito pouco dos jardineiros, não precisa de regas regulares nem de mimos constantes, como muito bem salienta o amigo Rafael, no seu Jardim Autóctone (Armamar, Trás-os-Montes). A propósito, propomos ao leitor uma visita virtual a este santuário da jardinagem autóctone na blogosfera portuguesa.


> Xisto | Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Agapantos brancos dos Jardins do Xisto, 
Silveira dos Limões, Junho 2014
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

sexta-feira, 4 de julho de 2014

PARA SER GRANDE





>
“ Para ser grande sê inteiro: Nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda 
Brilha, porque alta vive. 


> Leituras num banco de jardim | Citação 8
Ricardo Reis (Fernando Pessoa, 1888-1935), Portugal
in Odes de Ricardo Reis, 1933
ed. Ática, Lisboa, 1946


> Xisto | Artes Visuais ! Fotografia 
Gérard Castello-Lopes (1925-2011), Portugal/França
(A Pedra) Portugal, 1987, 
prova fotográfica, gelatina e sais de prata 
©  CRO|XISTO|AV|F

quinta-feira, 3 de julho de 2014

UM FIGO FORA DO TEMPO


Eis uma síntese final da história dos figos temporãos: a jovem figueira dos Jardins do Xisto apresentava cerca de uma dezena de figuinhos precoces em meados de Março e um único figo sobrevivente em meados de Junho.

Uma vez colhido e provado, este solitário pingo-de-mel, maduro e doce, soube-nos a muito e soube-nos a pouco. Não temos outro remédio senão esperar pacientemente pelo "tempo dos figos", lá mais para o final do Verão.


> Xisto | Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Figo temporão, Silveira dos Limões, meados de Junho 2014
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

quarta-feira, 2 de julho de 2014

NO TEMPO DAS CEREJAS

As cerejeiras (Prunus avium), oriundas da Ásia, são árvores magníficas, sobretudo pelas suas flores e pelos seus frutos, mas também pela nobreza da sua madeira. Embora raramente cultivadas na Silveira dos Limões, encontram solos muito apropriados em várias zonas da Beira Baixa, nomeadamente na Cova da Beira, que produz excelentes variedades de cerejas. As que vemos na imagem, saídas fresquinhas do frigorífico e saboreadas enquanto se escreve este texto, foram-nos trazidas do vizinho concelho de Oleiros. Podemos garantir que são doces, de sabor intenso e polpa carnuda. 


> Xisto | Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Malga com cerejas, Silveira dos Limões, Junho 2014
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

terça-feira, 24 de junho de 2014

CANTEIRO DO FORNO



As sardinheiras do forno comunitário da Silveira dos Limões florescem ao longo de vários meses, estando agora na fase de maior exuberância. O vermelho alaranjado e cintilante da variedade Pelargonium zonale encontra um destaque perfeito na textura da parede de xisto, especialmente à luz rasante de uma manhã de Junho. E sendo certo que as sardinheiras sempre ficam bem em todo o lado, é igualmente certo que qualquer planta aprecia combinar-se com construções de pedra de xisto. 
O canteiro do forno comunitário mostra que também a jardinagem de pequena escala pode contribuir para a valorização e reanimação da aldeia e da sua sobrevivente arquitectura tradicional. 


> Xisto | Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Canteiro do Forno Comunitário,
Silveira dos Limões, Junho 2014
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

quinta-feira, 19 de junho de 2014

OITENTA E OITO



É uma das visitas mais frequentes dos jardins e também a senhora com idade mais avançada, entre os Amigos dos Jardins do Xisto. Devotada à jardinagem, desde sempre, a sua experiência e os seus conselhos são preciosos. Maria Helena acompanha o desenvolvimento deste projecto, atenta a tudo o que cresce e floresce, especialmente as plantas trazidas do seu antigo jardim. Faz hoje 88 anos, números redondos (). 


> Xisto | Banco de Imagens da Silveira (BIS)
"Dama" da camélia, Jardins do Xisto, 
Silveira dos Limões, Inverno 2012
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

quarta-feira, 18 de junho de 2014

EM JUNHO



Florescem por toda a Beira Baixa no mês de Junho as coroas-de-rei (Helichrysum stoechas). Nesta imagem, estão bem acompanhadas por flores brancas de sardinheira (Pelargonium zonale)


> Xisto | Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Coroas-de-rei e sardinheiras, Jardins do Xisto, 
Silveira dos Limões, Junho 2013
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

domingo, 15 de junho de 2014

ÁGUA

Chegaram os dias quentes que anunciam o Verão seco da Beira Baixa. Na Silveira dos Limões todos reconhecem que a água é um bem precioso e escasso, mas hoje, Domingo, o período da rega, a hora de "dar de beber" à Natureza, foi especialmente refrescante, graças ao apoio do João e do seu primo Nuno, amigos dos Jardins do Xisto. Oxalá a Natureza recompense o esforço. 


> Xisto | Etnografia 
Cocho ou malga de cortiça, 
Beira Baixa ou Alentejo, séc. XX, 
cortiça e água
©  CRO|XISTO|ET.

sábado, 14 de junho de 2014

SANTOLINA


Há plantas que sofrem grandes alterações no seu período de floração. É o caso desta santolina (Santolina chamaecyparissus), que durante grande parte do ano apresenta folhagem compacta verde-acinzentada, e que no final da Primavera desenvolve tufos de flores amarelas, em várias direcções, tornando-se então uma planta exuberantemente despenteada.


> Xisto | Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Santolina, antes e durante a floração,
Jardins do Xisto, Silveira dos Limões, Primavera 2014
fotografias digitais
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

terça-feira, 10 de junho de 2014

ÁRVORE NACIONAL DE PORTUGAL



O sobreiro dos Jardins do Xisto, que as imagens documentam com dois meses de intervalo, morreu recentemente de doença desconhecida. Possivelmente, uma bactéria terá atacado as suas raízes. Uma coisa triste, ou uma desilusão, porque as árvores são "uma das nossas grandes ilusões de imortalidade", como refere Rosa no seu Blog de Cheiros, a propósito de árvores amadas que vemos desaparecer. 

Este sobreiro definhava entre eucaliptos, entretanto abatidos, mas acabaria por lhes sobreviver pouco mais de um ano, após uma fase bem sucedida de recuperação, durante a qual foram construídos canteiros e caminhos na sua direcção e em torno dele. Pretendia valorizar-se uma aguardada majestade que afinal jamais se cumprirá. 

O sobreiro (Quercus suber), adquiriu em Dezembro de 2011 o estatuto simbólico de Árvore Nacional de Portugal, facto que para nós constituía também um motivo de orgulho, dada a sua existência autóctone nos Jardins do Xisto.

O presente post vem assinalar uma despedida, difícil mas inevitável, porque é preciso reagir, plantar novas árvores e cuidar das que nos restam. E, neste Dia de Portugal, lembrar ainda que a morte de um sobreiro que sobreviveu a eucaliptos, não pode tornar-se uma alegoria trágica sobre a situação lamentável a que o país chegou, no âmbito florestal como no âmbito político e social. 


> Xisto | Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Sobreiro do patamar intermédio dos Jardins do Xisto,
Silveira dos Limões, (1) Março 2014 / (2) Maio 2014
fotografias digitais
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

quinta-feira, 5 de junho de 2014

SEMI-ESFERA


Sempre que se fotografa nos Jardins do Xisto sabemos que os registos são irrepetíveis. Em cada ano, em cada estação, tudo se transforma permanentemente. A primavera de 2013 foi a época de glória deste malmequer (Argyranthemum frutescens), altura em que apresentava uma inusitada regularidade semi-esférica.   


> Xisto | Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Malmequer vermelho dos Jardins do Xisto, 
Silveira dos Limões, Primavera 2013
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

sexta-feira, 30 de maio de 2014

E SAIBA QUEM ISTO LER


>

“ E saiba quem isto lêr (porque lhe parecerá
por ventura cousa leve o desenho) que não ha hoje 
este dia debaxo das strellas cousa mais
 deficil e ardua que o desenhar.(...) E em tanto 
ponho o desenho, que me atreverei a mostrar como 
tudo o que se faz em este mundo é desenhar. 


> Leituras num banco de jardim | Citação 7
Francisco de Holanda (1517-1585), Portugal
in "Da Pintura Antiga", 1548, 
ed. Imprensa Nacional/CML, Lisboa, 1984


> Xisto | Azulejo
Azulejo hexagonal, séc. XVII
Índia (Bijapur?) (proveniente do Convento de Santa Mónica, Goa)
©  CRO|XISTO|AZ

terça-feira, 27 de maio de 2014

FLORES DE MURTA


A murta (Myrtus communis), repleta de botões, começou já a florir. Este arbusto autóctone, muito desejado nos Jardins do Xisto, é praticamente inexistente nas redondezas. O sítio mais próximo em que é ainda abundante, tanto quanto sabemos, é a Serra de Sarzedas, a cerca de 5 quilómetros da Silveira dos Limões, e foi das encostas desta serra que se transplantaram vários pés de murta, alguns dos quais vingaram e estão agora bem adaptados e robustos. 

Voltaremos aqui a falar da murta, das propriedades medicinais e condimentares que lhe são reconhecidas, pelo menos desde os tempos de Afrodite, deusa grega do amor. Para já, ficamos com a beleza discreta das suas primeiras flores deste ano. 


> Xisto | Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Murta dos Jardins do Xisto, 
Silveira dos Limões, Maio 2014
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

quinta-feira, 22 de maio de 2014

FIGUEIRA



Outra fotografia da figueira (Ficus carica), tirada dois meses depois da anterior, que registava figos temporãos. Entretanto, esta figueira transformou-se rapidamente numa jovem árvore de grandes e robustas folhas, agora com novos e numerosos filhotes. Alguns dos tais figos precoces definharam e acabaram por cair, mas quatro deles continuam sólidos. Até quando? 

(Continuaremos a seguir a "saga dos temporãos sobreviventes").


> Xisto | Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Figueira do Terreiro da Saudade,  
Jardins do Xisto, Silveira dos Limões, Maio 2014
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

CAÇA-TOUPEIRAS


Onde quer que haja horta ou jardim, a cava-terra ou toupeira (Taipa occidentalis), é bicho indesejado. Nas últimas semanas as toupeiras invadiram em força todos os canteiros do patamar inferior dos Jardins do Xisto. O que fazer? Nada. Afinal estes mamíferos insectívoros podem ser mais úteis do que prejudiciais. Ao perfurar o solo para construir uma complexa rede subterrânea de túneis e galerias alimentam-se de larvas e insectos nocivos. 
Por enquanto, o prejuízo mais evidente da presença de toupeiras nos Jardins do Xisto, dadas as características do terreno em socalcos, diz respeito ao desperdício da água das regas, que vemos esvair-se a vários metros de distância dos canteiros. 

"O principal predador da toupeira acaba por ser o homem, que vê nela uma praga, responsável pelo desenraizamento de plantas e deslocamento de raízes. De facto, enquanto constrói galerias, a toupeira vai revolvendo a terra, causando algum prejuízo a agricultores e jardineiros. No entanto, a sua presença tem também um lado positivo, visto ser uma grande consumidora de animais prejudiciais a muitas plantas de cultivo e oxigenar o solo através da sua actividade escavadora". (v. link)

Este invulgar artefacto de cerâmica popular, uma armadilha para caçar toupeiras, tem a particularidade de integrar factores mágicos/fálicos do mundo rural, sendo representativo do imaginário fantasioso dos barristas de Ribolhos.


> Xisto | Etnografia 
Caça-toupeiras, déc. 1980
Cerâmica, barro negro de Ribolhos (Castro d'Aire) 
©  CRO|XISTO|ET.

terça-feira, 20 de maio de 2014

SARGAÇO



Por estas paragens da Beira Baixa chamam-lhe simplesmente sargaço, mas devido à coloração verde-esbranquiçada da sua folhagem é também conhecido por sargaço-branco ou mato-branco. Trata-se da espécie autóctone Halimium ocymoides, que pertence à mesma família das estevas (Cistaceae).

Embora em perigo de extinção, a verdade é que este ano já nasceram espontâneamente vários sargaços nos Jardins do Xisto, decerto devido à propagação das suas sementes num território onde se sentem protegidos. Todos estão a florir nesta altura do ano. 


> Xisto | Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Sargaço do Terreiro da Saudade,  
Jardins do Xisto, Silveira dos Limões, Maio 2014
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

segunda-feira, 19 de maio de 2014

AMARILIS



Este fim de semana floriu nos Jardins do Xisto a primeira amarilis, também conhecida por açucenaAs designações científicas Amaryllis belladonna ou Hippeastrum, respectivamente atribuídas a espécies originárias da África do Sul e da América tropical, dividem botânicos e especialistas em jardinagem, dadas as fortes semelhanças que apresentam. Os produtores e comerciantes destas espécies resolveram o problema atribuindo a qualquer delas o nome genérico amarilis. E nós seguimos o exemplo.


> Xisto | Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Amarilis híbrida dos Jardins do Xisto,  
Silveira dos Limões, Maio 2014
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

terça-feira, 13 de maio de 2014

É PRECISO PARTIR




>
 É preciso partir. É preciso ficar. 


> Leituras num banco de jardim | Citação 6 
Eugénio de Andrade (1923-2005), Portugal
in As palavras interditas, 1951


> Xisto | Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Azálea junto ao muro do pátio, Silveira dos Limões, Abril 2014
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)

segunda-feira, 12 de maio de 2014

ALELOPATIA? (III)



As hortensias (Hydrangea macrophyllaapreciam humidade constante no solo e alguma protecção do sol directo. Por isso foram recentemente plantadas junto de estevas e carquejas, para que estas autóctones tão resistentes possam facultar-lhes um pouco de sombra. Veremos se as hortensias irão sobreviver aos dias extremamente secos e às altas temperaturas do Verão. 

Acredita-se que este tipo de combinações pode contribuir para que a nossa flora autóctone 
seja valorizada. E deseja-se que a esteva possa vir a ser mais utilizada na jardinagem portuguesa, a exemplo do que já acontece noutros países, que a importam como exótica.

Quanto a possíveis aplicações da esteva para fins medicinais ou no campo da perfumaria, raramente exploradas em Portugal, transcrevemos a informação de J. L. Laia na caixa de comentários
"A esteva exsuda uma resina, designada por lábdano, que pode ser colhida quer por destilação quer por extracção com solventes. Os produtos assim obtidos são particularmente apreciados pelo seu odor balsâmico. Dos produtos sintetizados pelas plantas, os óleos essenciais estão entre os mais valiosos e de grande aplicabilidade comercial, incluindo a terapia farmacológica.
Quem sabe se, em breve, ao contrário das preocupações da crónica 'Abaixo as estevas', publicada no (jornal) Reconquista da década de sessenta do século passado, passaremos a olhar para a esteva com outros olhos, como recurso endógeno."


> Xisto | Banco de Imagens da Silveira (BIS)
Hortensias e estevas em flor no terreiro da Saudade,
Jardins do Xisto, Silveira dos Limões, Abril 2014
fotografia digital
©  CRO|XISTO|BIS|JX(RO)